Entrevista exclusiva a um elemento de uma claque de futebol

Após a detençao de vários elementos dos No Name Boys (foram apreendidas armas, muita droga e alguns ursinhos de peluche), o tema “as claques de futebol sao violentas?” tem estado na ordem do dia em tudo o que é imprensa. O Hemiciclo, tentando sempre manter-se ao nível das grandes referencias do jornalismo mundial (24 Horas, O Crime, O Diabo e o programa do Goucha quando lá vai o tipo dos crimes),conseguiu uma entrevista exclusiva e que promete ser bomb&aApós a detençao de vários elementos dos No Name Boys (foram apreendidas armas, muita droga e alguns ursinhos de peluche), o tema “as claques de futebol sao violentas?” tem estado na ordem do dia em tudo o que é imprensa. O Hemiciclo, tentando sempre manter-se ao nível das grandes referencias do jornalismo mundial (24 Horas, O Crime, O Diabo e o programa do Goucha quando lá vai o tipo dos crimes),conseguiu uma entrevista exclusiva e que promete ser bombástica: acompanhámos o dia-a-dia de um elemento de uma claque de futebol. Vamos ver: – O Hemiciclo: Bom dia, entao como começa o dia de um elemento de claque de futebol? – Cajó: Olhe, antes de mais, desejo-lhe um muito bom dia e fico-lhe muito agradecido por ter tido a gentileza de se ter lembrado de mim para fazer esta entrevista, fico mesmo muito agradecido, mas em relaçao a questao que me colocou…normalmente o meu dia começa por volta das 6.30 da manha, que é quando a minha maezinha me vai acordar a caminha.  – O Hemiciclo: Acorda bastante cedo…é para ir trabalhar? Ou é daquelas pessoas que antes de sair para o emprego gosta sempre de fazer um pouco de jogging? – Cajó: Nao, nao, é mesmo é para ver o Pokemon, na SIC. É que aquilo começa as 8 e entre acordar, comer, tomar banhinho e escolher a roupa para vestir o tempo passa num instante. É mesmo para conseguir ver o Pokemon a horas. – O Hemiciclo: Hmm, interessante…entao e o que é que o Cajó faz na vida? Tem emprego? Mulher? Filhos? -Cajó: Tenho um emprego como guarda nocturno, o que até me custou ao início porque tenho medo de escuro mas desde que passei a levar o Tom comigo que me sinto mais seguro… – O Hemiciclo: Quem é o Tom? O seu cao? – Cajó: Nao, nao. É o meu ursinho de peluche, tenho-o desde os meus 7 anos. É o meu melhor amigo e protector. – O Hemiciclo: Um urso de peluche melhor amigo e protector?! Mas voce é elemento de uma claque de futebol ou é um choné menino da mama?!   – Cajó: N-n-nnn-aaa-oo-oo, eu sou mesmo de uma claque… -O Hemiciclo: Entao porque raio é que só me fala do Pokemon, que tem medo do escuro, que tem um urso de peluche que o protege…eu estava a espera de outra coisa Cajó, de revelaçoes bombásticas, coisas explosivas!! – Cajó: Pois…mas é que essa coisa da violencia é só para disfarçar…nós nao praticamos a violencia, nós repudiamos qualquer tipo de violencia e badalhoquice em geral. E já agora, agradecia que me chamasse de Carlos Jorge, é que Cajó é muito “bruto” e eu nao gosto. É que sou muito sensível. – O Hemiciclo: Entao mas e as tatuagens, o ar agressivo…para que é isso tudo? – Cajó (agora Carlos Jorge): Olhe, as tatuagens sao daquelas que se lavam. Das que saiem no Bollycao, que é só passar por água e desaparecem.  – O Hemiciclo: Mas Carlos Jorge, desculpe interromper…mas afinal o que faz um tipo como voce, todo certinho numa claque de futebol? – Cajó (agora Carlos Jorge): Ah, mas somos todos assim! Eu explico-lhe: esta ideia das claques surgiu há uns anos bons…eu gostava muito de fazer coleccionismo de revistas de culinária, mas todos na escola me gozavam por causa disso, chamavam-me “maricas”, “totó”, “cromo” e outras coisas feias… cansado de ser gozado, resolvi juntar um grupo de malta que tal como eu, coleccionava revistas de culinária e resolvemos fundar um clube de coleccionismo de revistas de culinária. – O Hemiciclo: E foi aí que surgiu a ideia das claques? – Cajó (agora Carlos Jorge): Foi sim. Quer dizer, ao início eramos mesmo um clube de coleccionismo, a sede era no meu quarto e corria tudo bem, mas apesar de sermos muitos, continuavam a troçar de nós na mesma e foi aí que nos lembrámos de inventar uma coisa onde pudéssemos fazer de conta que éramos muito maus e víris. Onde podiamos trocar as revistas sem que ninguém desconfiasse ou fizesse troça de nós. É aí que surge o futebol e isto das claques. – O Hemiciclo: E actualmente continua a coleccionar revistas de culinária? – Cajó (agora Carlos Jorge): Nao, nao, que com 45 anos já tenho idade para ter juízo. Agora só faço colecçao de cartas do Pokemon. – O Hemiciclo: Entao mas se é tudo a fingir, como explica os insultos que proferem uns aos outros durante os jogos? – Cajó (agora Carlos Jorge): Isso nao sao insultos. Nós estamos é a falar em código, usando os insultos. É que assim todos pensam que somos muito maus e víris. – O Hemiciclo: Muito bem pensado de facto. E como explica as agressoes fisícas? – Cajó (agora Carlos Jorge): Isso também é muito giro, pois embora as pessoas pensem que nós estamos de facto em confrontos físicos uns com os outros, o que se passa na verdade é que estamos a trocar cromos do Pokemon. As pessoas pensam que nos estamos a espancar uns aos outros, mas na verdade nada disso acontece. Continuam a pensar que somos víris e nao gozam connosco.  – O Hemiciclo: Também está muito bem pensado, sim senhor. Bom Carlos, fico-lhe muito agradecido pelo tempo concedido e pelas revelaçoes fantásticas que nos deu nesta entrevista. Muito obrigado e tudo de bom para si. – Cajó (agora Carlos Jorge): Ora essa, obrigado eu pela gentileza que o senhor teve ao lembrar-se de mim para esta entrevista e já que fala em revelaçoes, se quiser ler o novo número da Sentinela eu tenho aqui na mala…e desejo do fundo do meu coraçao que o senhor tenha um óptimo dia e que Deus o guie e ilumine pelos caminhos infíndáveis e por vezes confusos desta grande estrada que é a vida… E foi esta a entrevista com Cajó, perdao, Carlos Jorge. Nao era bem o que esperávamos, mas revelaçoes bombásticas nao faltaram…e pelo que parece, as claques de futebol de violentas nao tem nada.  

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